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Se existe um setor que não se incomodou com a crise econômica do País, foi o de energia solar fotovoltaica: de 2015 para 2016, os projetos de pequeno e médio portes instalados pelo território brasileiro aumentaram 300%, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).

E a maior demanda por painéis solares significa maior demanda por vidro — já que o material é fundamental para o funcionamento do sistema. Por isso, as empresas vidreiras precisam estar atentas aos movimentos desse segmento. 

O que é energia solar fotovoltaica?

Nas usinas fotovoltaicas, os painéis são instalados no chão, em uma grande área voltada para a produção em grande escala. As células fotovoltaicas existentes nos painéis solares captam a luz solar, produzindo energia. Essa energia é convertida por um aparelho chamado inversor e introduzida na rede de distribuição de eletricidade. Se o gerador consumir mais do que produziu, ele paga a diferença. Se produzir mais do que consumiu,fica com créditos para serem utilizados nos meses seguintes. E onde entra o vidro? Ele é aplicado na parte externa dos painéis, com a missão de proteger as células fotovoltaicas.

Produção de energia solar

Não basta apenas instalar um painel no telhado para se ter energia solar. É preciso entender como se dá a produção. Existem dois tipos de geração solar no Brasil:

– Geração centralizada

Voltada para a produção e venda de energia elétrica. Ou seja, a eletricidade não é para consumo próprio, mas para distribuição. Esse é o tipo de geração encontrado em usinas fotovoltaicas.

– Geração distribuída

Realizada por geradores independentes para o próprio consumo. É regulamentada pela Resolução Normativa nº 687/2015, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O documento define dois tipos de produção: Microgeração (gera até 75 kW) e Minigeração (acima de 75 kW e menor ou igual a 5 MW).

Dentro desse tipo de geração, há mais três possibilidades:

– Autoconsumo remoto: a energia produzida em uma área é usada para abater o consumo de um edifício em outro local. Isso só é válido se os dois terrenos pertencerem ao mesmo dono — e também se estiverem dentro da região atendida pela mesma distribuidora;

– Geração em múltiplas unidades consumidoras: um edifício ou condomínio gerador reparte a energia entre os moradores. As porcentagens são definidas por eles mesmos;

– Geração compartilhada: reunião de consumidores em cooperativa (composto por pessoas físicas) ou consórcio (pessoas jurídicas) que instala uma unidade de geração para benefício de todos os envolvidos.

Os três tipos de tecnologia fotovoltaica

O vidro está presente em todas elas, protegendo as células fotovoltaicas. A diferença está no tipo de célula.

Silício monocristalino ou policristalino — 1ª geração 

Tecnologia mais utilizada atualmente (cerca de 85% dos casos)

– Eficiência de produção de energia de 13% a 21%;

– Instaladas em painéis rígidos;

– Maior peso dos painéis limita as aplicações possíveis.  

Células fotovoltaicas orgânicas (OPV) — 3ª geração

– Filme plástico com tinta líquida semicondutora;

– Eficiência de produção de energia de 3,5% a 5%;

– Apelo estético: garante soluções flexíveis, com cores,transparência etc.;

– Indicado para locais com incidência de luz direta ou indireta;

– Tecnologia recente e ainda pouco difundida.  

Filmes finos — 2ª geração

– Feitos de materiais inorgânicos;

– Eficiência de produção de energia de 7% a 15%;

– Indicado para locais com menor incidência de luz direta;

– Instalados em painéis rígidos ou flexíveis.  

Qual o vidro ideal?

Temperado de baixo teor de ferro, com espessura de 2 a 4 mm. Esse tipo de vidro (também conhecido como extra clear, por ser mais transparente) é fabricado no Brasil pela Cebrace (Diamant). A máxima transparência é para que haja a maior passagem de luz possível, explica o engenheiro Luís Augusto Knorst, diretor de Projetos da DVM Vidros, processadora maranhense que possui uma divisão fotovoltaica, a DVM Solar. Assim, mais radiação solar é captada pelas células fotovoltaicas. Além disso, o vidro precisa garantir a integridade do painel durante condições climáticas ruins (chuvas de granizo, por exemplo).

Quanto ao processamento desses vidros, o que muda?

Para Márcio Sato, especialista de produtos para a América Latina da Glaston, o controle de qualidade das peças deve ser preciso em todas as etapas. “Afinal, são necessárias chapas seriadas sem ondulações, empenos etc., para não influenciar negativamente na eficiência do painel.” À beira da lagoa: a Creche Municipal Hassis, em Florianópolis, recebeu fotovoltaicos da Engie. A energia solar ajudou o projeto a receber a certificação Leed para edificações sustentáveis. Segundo a prefeitura da capital catarinense, a economia média mensal na conta de luz chega a R$ 2,5 mil.  

Por que investir em energia solar fotovoltaica?

– Potencial gigante: a região menos ensolarada do Brasil possui radiação solar maior que a região mais ensolarada da Alemanha, um dos países líderes no uso da energia fotovoltaica;

– O Brasil está entre os 10 mercados mais atraentes para painéis solares até 2020;*

– Investimentos no setor vão aumentar: 45% da geração de energia no País até 2030 precisará ser oriunda de fonte renovável, de acordo com as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), metas voluntárias estipuladas por cada país e submetidas à Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de reduzir emissões de gases de efeito estufa;

– 72% dos brasileiros comprariam um sistema de energia solar;**

– O custo de produção está se tornando menor que o do gás natural e das usinas de carvão, seus concorrentes.

(* Fonte: Agência Internacional para as Energias Renováveis/** Fonte: Datafolha/Greenpeace 2016)

Painéis solares vidro-vidro já são realidade

Painel

Como visto na imagem acima, o painel tradicional possui uma lâmina de vidro na parte externa. Porém, já existem módulos com nosso material em ambas as faces, de forma a encapsular as células fotovoltaicas dentro de uma peça laminada — são conhecidos como painéis vidro-vidro. Em relação aos fotovoltaicos comuns, possuem algumas diferenças:

– Maior vida útil: fabricantes já fizeram testes para garantir trinta anos de vida útil dos sistemas;

– Dispensa o uso de suporte de alumínio. A Lisec, fabricante de maquinários para processamento, produz esses módulos utilizando temperados com 2 mm de espessura — por enquanto, apenas em sua fábrica na Áustria. Segundo a empresa, equipamentos para a produção desses painéis estão sendo negociados com clientes brasileiros.

Oportunidade para o setor vidreiro

O mercado de fotovoltaicos no Brasil está se desenvolvendo. Nos últimos tempos, surgiram fabricantes nacionais de painéis. Para Rodrigo Lopes Sauaia, presidente-executivo da Absolar, “as empresas vidreiras precisam estudar a oportunidade, pois ela é bastante significativa em termos financeiros”. Sauaia comenta ainda um dado impressionante: a geração centralizada de energia irá aumentar dez vezes neste ano em relação a 2016. Incentivo para a cadeia nacional.

No entanto, apesar do momento favorável, ainda existem barreiras. Pelo fato de poucas processadoras estarem envolvidas no setor solar, importar o vidro ainda é mais barato — o que é um paradoxo, já que produtos nacionais possuem isenções diferenciadas de impostos. “Já usamos vidro que foi temperado e lapidado aqui no Brasil, mas o preço ficou muito superior”, relata Marcos Torrizella, da Dya Energia Solar, empresa do Grupo Tecnometal, produtora de painéis.

Para a Absolar, são necessárias três ações estratégicas para mudar esse cenário:

– Criação de novas linhas de financiamento para facilitar o acesso a crédito por pessoas físicas e jurídicas interessadas na tecnologia. Quanto mais pessoas usando energia fotovoltaica, mais barata ela será;

– Equalização da carga tributária para a cadeia produtiva, trazendo competitividade ao mercado interno. Isso irá acabar com o problema de os vidros importados serem mais em conta que os nacionais;

– Ações de fomento ao mercado, visando à educação da população, como o estabelecimento de metas de geração e inclusão da energia solar em programas habitacionais.

Nicho para ser explorado

Com maior presença de nosso setor junto à produção de painéis, o uso de vidro nacional se tornará regra. “As empresas vidreiras podem deixar o processo mais fácil e barato. Hoje, a demanda é maior e já compensa a produção.” A análise é de José Renato Colaferro, sócio e diretor da Blue Sol, empresa que oferece soluções para instalações solares. “Isso facilitaria a inclusão dos fabricantes nacionais no mercado e iria alavancar todos os fornecedores de materiais para montagem dos módulos”, opina Rodolfo Souza Pinto, presidente da Engie Solar, maior geradora privada de energia do País.

OPV: solução versátil e tecnológica com vidro

O OPV (organic photovoltaics) é um filme plástico impresso com tinta semicondutora e orgânica. A tecnologia é a mais recente, e versátil, para os fotovoltaicos: é usada em vidros de qualquer estrutura (fachadas, coberturas, claraboias etc.) que receba incidência da luz solar direta e indireta, praticamente sem interferir na questão estética de nosso material.

Aplicação – Para novas edificações: o filme OPV vai no meio de um laminado, juntamente com o interlayer. O vidro do lado externo, que ficará exposto à luz, deve sempre ser de baixo teor de ferro;

– Para prédios já existentes: o filme é colado na face interna dos vidros instalados (os vidros devem ser incolores). Principais características

– Espessura menor que 1 mm;

– Leveza: menos de 500 g por m²;

– Oferece diferentes graus de transparência (até 50%).

A brasileira Sunew é uma das líderes mundiais na pesquisa e desenvolvimento do OPV. Sua fábrica, em Belo Horizonte, pode produzir até 400 mil m² de filme por ano. Para a gerente-comercial Verena Greco, a tecnologia irá colocar a energia próxima dos centros consumidores, diminuindo as perdas no sistema de transmissão. Diz ela: “Ainda são pouco explorados os espaços urbanos que poderiam receber intervenções de energia solar, como pontos e tetos de ônibus, postes de luz, coberturas de galpões e outros”.

A maior fachada fotovoltaica orgânica do mundo A construtora Inovalli está erguendo, em São Paulo, um prédio com fachadas com aplicação de OPV da Sunew. Os filmes foram instalados pela SolarVolt em laminados extra clear 12 mm da Cebrace e processados pela Unividros. Ao todo, a estrutura tem potência instalada de 2 kWp. O projeto teve a Avec Design como responsável, usando-se a técnica ecoglazing (caixilho sintético de silicone) para a instalação.

Thatiane Roberto, gerente de Marketing da fabricante de painéis Globo Brasil, diz: “Ter a opção de comprar um vidro nacional gera mais segurança e estabilidade às empresas. Estas ficariam livres das variações cambiais e dificuldades com a logística de importação”. Por isso, o ideal é seguir o conselho de Sauaia, da Absolar: “Devemos criar uma cadeia, uma rede de negócios, envolvendo o setor solar e o vidro, com o intuito de desenvolver um mercado viável para todos. A Absolar está de portas abertas para as empresas vidreiras que quiserem conhecer melhor esse mercado”.

A processadora Penha Vidros, por exemplo, já faz isso: oferece vidros para painéis em parcerias com empresas fabricantes desses equipamentos, sempre para projetos especiais e customizados. Microgeração para cooperativa No RS, a Usina Solar Boa Vista, da distribuidora Creluz, teve investimento de R$ 4 milhões. O espaço funciona em ciclo combinado com usina hidrelétrica, atingindo potência de pico de 257kWp, o suficiente para abastecer trezentas famílias. A Globo Brasil é a fornecedora dos painéis.  

Mobiliários solares

OPTree, a arvore fotovoltaica produzida pela Sunew

Por que não captar energia solar em mobiliários urbanos? A OPTree é um projeto da Sunew, em parceria com a Metalco do Brasil, voltado para praças públicas, parques e calçadão de praias, entre outros locais. A estrutura, em formato de árvore, é de aço inox escovado e possui 3,38 m de altura. As folhas possuem filmes OPV. O produto concorre a um prêmio mundial de inovação na Lopec, maior feira de eletrônica orgânica do mundo, na Alemanha. 

Fonte: Site Associação Brasileira de Distribuidores e Processadores de Vidros Planos – Abravidro. Disponível em <http://abravidro.org.br/uma-luz-para-o-nosso-setor/> em 19/04/2017 – 18h58