Parceria com o Centro de Pesquisas da Petrobras visa à formulação de composto para produção de células fotovoltaicas impressas, considerado a próxima fronteira em captação de energia solar

Belo Horizonte, 20 de janeiro de 2019 – A Petrobras assinou um termo de cooperação para formar uma parceria estratégica com o Centro de Inovações CSEM Brasil. O objetivo do acordo é realizar atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) para elaborar uma formulação a base de perovskita solar. Esse composto sintético tem uma estrutura cristalina que resulta em propriedades fotovoltaicas excepcionais para utilização como filme na fabricação de células solares impressas e flexíveis. A tecnologia de aplicação desse novo material em filme fino ainda não existe em escala industrial, mas vem sendo apontada como a próxima fronteira da energia solar. Estudos indicam que filmes com perovskita solar têm o potencial de atingir, ou mesmo ultrapassar, a um menor custo de produção, a eficiência dos atuais painéis solares rígidos de silício.

Com o projeto, a Petrobras investirá um total de US$ 6,5 milhões ao longo de 30 meses, beneficiando-se da infraestrutura e do conhecimento acumulado do CSEM Brasil na produção de células solares impressas. A parceria com o CSEM Brasil está alinhada com o Plano de Negócios da Petrobras, que tem entre suas principais estratégias a atuação em energia renovável de forma rentável, com foco em eólica e solar no Brasil.

“Como uma empresa integrada de energia, não podemos deixar de olhar para uma das maiores tendências do setor. Quando consideramos as possibilidades de baixo custo e peso dos módulos flexíveis fabricados pelo processo de impressão, aliado à alta eficiência da perovskita, é fácil vislumbrar soluções de alto impacto para o mundo da energia de baixo carbono”, afirmou Oscar Chamberlain, Gerente Geral de Pesquisa e Desenvolvimento em Refino e Gás Natural do Centro de Pesquisas da Petrobras.

Imprimindo um futuro luminoso

A tecnologia de impressão de filmes fotovoltaicos em substrato leve, flexível e transparente a partir de maquinário adaptado da indústria gráfica é, por si só, vista por muitos como o futuro da energia solar. O CSEM Brasil se tornou referência mundial em filmes solares impressos, sendo resultado da parceria entre a brasileira FIR Capital, pioneira na indústria de private equity/venture capital (PE/VC) no Brasil e o CSEM da Suíça (Centre Suisse d’electronique et de Microtechnique). O centro de pesquisas desenvolveu tecnologias de filmes impressos que utilizam compostos orgânicos a base de polímeros para captar a energia solar, conhecido como OPV (organic photovoltaics). Esses filmes já são produzidos comercialmente pela empresa Sunew, empresa Brasileira, , que surgiu do CSEM Brasil e é hoje a empresa líder mundial em instalações comerciais dos painéis solares desse tipo. O uso de uma tinta de perovskita com a mesma função representará um avanço na eficiência energética dos filmes solares.

A pesquisa sobre a aplicação desse composto de nome curioso à conversão de energia solar vem ocorrendo há apenas dez anos em laboratórios de destaque de todo o mundo – de instituições como o MIT (EUA) e a Universidade de Oxford (Inglaterra). No termo de cooperação com a Petrobras, uma das atribuições da CSEM Brasil será a de prospectar universidades parceiras para avançar nas pesquisas. O resultado esperado é a produção de um módulo protótipo e a obtenção de informações para subsidiar e viabilizar técnica e economicamente a produção industrial de filmes solares com o novo composto.