O CEO da Sunew, Tiago Alves, participou em 24 de junho do Webinar ReVisão 2050 sobre energia, promovido pelo Conselho Empresarial Brasileiro pelo Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).

Além de Tiago, o Webinar contou com a participação de importantes nomes do setor, como André Clark, presidente e CEO da Siemens do Brasil, Solange Ribeiro, presidente adjunta da Neoenergia, André Araújo, presidente da Shell Brasil e Heloísa Borges Esteves, diretora de Petróleo, Gás e Biocombustíveis da EPE (Empresa de Pesquisa Energética).

O evento online trouxe à tona diversas questões importantes referentes ao futuro energético do Brasil e do mundo e o posicionamento das empresas nessa revolução, pensando em maneiras sustentáveis de promover a eficiência energética e a disponibilidade, considerando as evoluções tecnológicas das sociedades futuras e o aumento exponencial da população.

Contexto geral do setor de energia

Para pensarmos o futuro energético, é importante entendermos o agora e também as previsões de crescimento de todas as variáveis que impactam nessa questão. Os dados da Bloomberg mostram que a demanda por energia elétrica deverá crescer 62% nos próximos 30 anos, o que significa um aumento de 1,5% no consumo mundial.

Outro dado importante é a estimativa trazida pela Shell Scenarios de que até 2050, 75% da população mundial estará concentrada em cidades, onde será consumida mais de 80% da energia global. Para o Brasil, a estimativa no período de 2015-2050 é uma taxa de aumento entre 1,4% a 22% ao ano.

Atender a essa demanda passa por uma série de desafios bastante complexos, pensando em formas de expandir a geração de energia sem exceder os limites naturais do planeta, ampliar a oferta energética, tornando a energia acessível e barata a todos e combater a desigualdade social, melhorando a infraestrutura de saneamento básico e de acesso à energia pela população mais vulnerável, além de regulamentar e encontrar formas de viabilidade econômica para implementar as novas tecnologias necessárias ao setor.

A pandemia de COVID-19, é claro, também trouxe impactos ao setor energético, desacelerando o crescimento global da energia renovável pela primeira vez nas últimas duas décadas. Os números da Agência Internacional de Energia (AIE), no entanto, mostram que há uma possibilidade de aumento na capacidade de energia renovável de 6% em 2021, dependendo das decisões críticas tomadas pelos governos.

Diante do cenário de instabilidade trazido pela pandemia, as fontes renováveis se tornam uma saída interessante, já que elas conseguiriam atender até 86% da demanda mundial por energia. Assim, essas fontes de energias renováveis poderiam impulsionar o crescimento da economia, ao mesmo tempo em que geram novos empregos, substituindo os perdidos nas indústrias de combustíveis fósseis – que devem enfrentar seu maior desafio dos últimos 100 anos de história.

O Brasil se tornaria um destaque nesse cenário, já que detém a maior parcela de fontes renováveis do mundo, porém enfrenta seus próprios problemas para conseguir transformar esses números em realidade.

Papel das empresas para redirecionar recursos e suprir demanda crescente por mais energia

Em um cenário de crescimento populacional constante e de novos avanços tecnológicos, como as empresas podem redirecionar recursos e atender as necessidades das pessoas? Para André Clark, presidente e CEO da Siemens Brasil, o grande desafio, no Brasil, é baixar os custos da energia e isso só será possível quando as empresas e os governos trabalharem de forma conjunta.

Já Tiago Alves, CEO da Sunew, aproveitou para lembrar que as empresas são veículos de competitividade e lucratividade e que a resposta para todas essas mudanças está nas pessoas. “As pessoas consomem e as pessoas elegem o verde, isso vai definir o padrão de consumo, as estratégias das empresas, as regulações e as políticas de impostos – e a partir disso as empresas irão seguir essas orientações”.

Para ele, não é justo cobrar que as empresas criem soluções que salvarão o mundo. Esse é um papel que deve ser compartilhado por todos na sociedade e as empresas que lideram o setor e que estão a frente das ações disruptivas devem falar e divulgar o assunto. “O que as empresas podem fazer é vestir a camisa da competitividade pela sustentabilidade”, finalizou.

Os demais palestrantes também lembraram o papel das empresas na educação e no quanto o entender a energia e a eficiência energética passa pelo vetor transformador da educação e na busca pela redução de emissão de carbono.

“As pessoas tendem a demandar comportamentos estratégicos e as empresas vão precisar reorientar seus negócios para atender a essa demanda crescente e exigente. É preciso implementar senso de urgência nas empresas para uma produção de energia mais eficiente”, finalizou Heloísa Esteves, diretora da EPE.

Elementos viabilizadores para o futuro da energia em 2050

Para 2050, prevê-se que algumas energias sustentáveis, como a eólica e a solar, serão mais baratas que as tradicionais usinas de carvão e de gás. Mas para atingirmos essa previsão é necessário que, hoje, atuem alguns elementos viabilizadores, acelerando esse processo. Na visão dos palestrantes, são muitos os pontos que devem ser trabalhados hoje em prol de um futuro energético melhor.

Tiago Alves lembrou a questão do carbono. “O nosso problema fundamental não é a falta de alternativas para gerar energia, é a falta de alternativas para gerar energia com a menor pegada de carbono ou com carbono negativo”.

Para ele, a próxima disrupção virá do setor de energia e descarbonização. O CEO da Sunew lembrou que em 2050 passaremos por inúmeras revoluções tecnológicas, como indústrias 4.0, 5G e inteligência artificial. Mas de onde virá a energia para alimentar tudo isso? As energias sustentáveis serão o caminho, sendo que a energia deverá ser habilitadora de novos serviços e novos hábitos.

Na visão de Solange Ribeiro, presidente da Neoenergia, é essencial haver equilíbrio entre as fontes energéticas, porque é necessário uma reserva que nem sempre as fontes sustentáveis conseguem ter. Ela também destacou a necessidade de políticas públicas e de infraestrutura para receber essa nova geração de energia.

Já para Heloísa Esteves, os elementos viabilizadores passam por vários pontos como busca por meios sustentáveis, redução de custo, promoção da eficiência no uso e na oferta e desenvolvimento econômico aliado à sustentabilidade, além da importância de se criar um plano nacional de energia, conseguindo, assim, um alinhamento entre segurança energética, preservação do meio ambiente e mudanças climáticas. “É fundamental desenhar sistemas de incentivo que permitam às empresas se apropriarem de forma eficiente dessa mudança de comportamento da sociedade”, finalizou Heloísa.

Transformações sistêmicas: alavancas e barreiras

Para chegarmos a essa visão de futuro de 2050, algumas mudanças e transformações sistêmicas precisam acontecer até 2030. Mas quais são as principais alavancas e barreiras para atingirmos esse cenário? E quais transformações mais imediatas necessitam ser feitas?

Na visão do CEO da Sunew, é necessário educar, instruir e informar. “A expectativa é que as pessoas liderem as transformações, seja no papel de investidor, seja no papel de gestor ou enquanto sociedade. E para isso é preciso educação e uma cultura de informação”, pontuou. Tiago lembrou o exemplo da Natura, que nas notas fiscais dos seus produtos, além do preço e do valor pago em imposto, também lança a informação da pegada de carbono de cada produto.

Já Heloísa lembrou a importância de acelerar o acesso à energia sustentável com preços acessíveis. “É preciso pensar a energia como um mecanismo de garantia de acesso e como recurso”. Ela pontuou que o Brasil tem condições de ser protagonista nesse processo, mas para isso precisa de políticas bem desenhadas e de mercados energéticos abertos.

Solange trouxe à discussão algumas barreiras que impedem que um cenário como esse ocorra, entre elas estão a questão regulatória e a necessidade de definições reguladoras estruturadas para que o investimento energia sustentável seja seguro.

Eventos disruptivos e impacto da COVID-19

Embora a pandemia de COVID-19 tenha pego muitos governos e empresas de surpresa, alguns eventos disruptivos mundiais deverão se tornar frequentes nos próximos anos, especialmente a mudança climática. Como as empresas podem lidar com essas situações e quais os aprendizados levantados com a pandemia atual?

André Araújo, presidente da Shell Brasil, citou como aprendizado positivo a importância da coletividade. Em relação às mudanças climáticas, o gestor tem uma visão positiva. “Ainda dá tempo, não vai ser uma jornada fácil, mas o ambiente da pandemia trouxe coisas boas, como solidariedade, apoio, foco e decisões rápidas – e esperamos que isso possa ser alimentado”.

Heloísa Esteves lembrou que, apesar das previsões, nem sempre temos controle sobre todos os eventos que podem ocorrer e afetar as empresas e as economias. “Nós sabemos que o futuro é incerto, e que ainda estamos em um contexto de crise, por isso o ideal é estabelecer políticas e trajetórias que tragam resultados. Para o Brasil, é um desafio manter a competitividade e a atratividade do país nesse cenário de incerteza futuro. É preciso avançar em reformas que deem um salto de credibilidade no país”.

O mesmo pensamento foi compartilhado por André Clark, que ainda lembrou que o país enfrenta uma das piores crises de imagem da sua história recente. “Para chegar a 2050, precisamos passar pelo segundo semestre de 2020”, enfatizou.

Tiago Alves ressaltou o poder impactante dos eventos climáticos. Para ele, “o aquecimento global vai fazer com que essa pandemia realmente pareça uma gripezinha. Os eventos extremos já estão aumentando a intensidade e a resiliência das companhias será importante”. O CEO da Sunew citou a resiliência, em um aspecto micro relacionado ao contexto da energia, como a energia distribuída e a energia integrada no método construtivo, de uma forma renovável, já no aspecto macro, Tiago lembrou a importância de tomar decisões acertadas “é preciso fazer o que é certo, o que a gente acredita que deveria ser feito”.

O evento foi finalizado com perguntas abertas ao público e com uma mensagem que enfatiza a importância da inovação. “Precisamos estar abertos ao que é novo e dispostos a correr riscos, tentando manter essa vantagem competitiva do Brasil, para que a gente como empreendedor consiga enxergá-la e incentivá-la”, concluiu o CEO da Sunew.

 

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